Pagar por apps e serviços não garante nada, certo?

Certo, e é com muito desgosto que escrevo esse post para desabafar um pouco sobre o último acontecimento no mundo da tecnologia e como ele é voraz para quem está disposto a pagar para consumir um produto de qualidade, sem publicidade e o diabo a quatro.

Pois bem, sou o tipo de pessoa que não mede esforços para contribuir com projetos que acredito e que têm utilidade no meu dia a dia, sejam aplicativos para iPhone ou podcasts que escuto religiosamente.

E não só isso, mas não meço esforços para divulgar explicações e justificativas para tais iniciativas: sou declaradamente contra o abuso de propagandas na internet, odeio publieditoriais e toda a sorte (ou azar) de marmotas para enganar ouvintes e leitores a fim de “manter um projeto”.

No dia 26 de março reclamei sobre o Instapaper no twitter:

E até o momento não havia recebido resposta. Pois bem, eu era assinante do serviço, não apenas paguei pelo app mas pagava para receber recursos extras da API. E quebrei a cara.

Hoje, praticamente um mês depois, o Marco Arment divulgou em seu site que o Instapaper foi comprado pela Betaworks.

Obviamente para as empresas que estão de olho nas start-ups e projetos “respeitáveis”, é relativamente fácil desembolsar certa quantia e comprar a ideia e/ou o projeto para tocá-los em frente (ou matá-los como o Google faz) com uma certa “clientela” (me sinto nos anos 80 escrevendo assim, mas é a verdade).

Percebeu que são muitos parêntesis para “justificar” alguma atitude dessas empresas? Pois é… enquanto isso, eu como entusiasta e consumidora de produtos que “APARENTEMENTE” não terão suas almas vendidas, me senti absolutamente trouxa esperando algo de alguém também “aparentemente” confiável como o Marco Arment.

Enquanto muitos nas redes sociais, inclusive na App.net elogiam o Marco Arment por tal tomada de decisão, eu como consumidora lamento por ter acreditado em um produto que me deixou na mão não só quando precisei do suporte mas depois ao descobrir que não pertence mais à pessoa que confiei.

Cada vez mais acredito que a internet esteja caminhando para nos fazer de “beta testers” sem fim, ou seja, vamos confiando nos produtos e divulgando-os, até que em determinado momento vemos todas as nossas expectativas e confianças sendo lançadas nas mãos de uma pessoa ou empresa totalmente diferentes daquelas que acreditamos inicialmente.

Eu poderia escrever e justificar muito mais nesse momento, mas ainda estou digerindo o acontecimento e buscando novas alternativas, ainda que estas também não sejam confiáveis…

…pois na internet atualmente cada um vai salvando o seu milhão, e trouxas somos nós que AINDA acreditamos.

Sem mais.

Por fim, uma música que começou a tocar enquanto eu confeccionava esse post…

Imagem de Amostra do You Tube

Publicidade em blogs e podcasts: por que ela sempre vence?

Antes de mais nada é importante deixar claro que não sou contra quem utiliza a publicidade em blogs e podcasts para manter o projeto no ar, ou seja, o sucesso chegou a tal ponto que se tornou financeiramente inviável para o autor mantê-lo sozinho. Mas sou contra a prática e explicarei no decorrer do post.

O que me chama a atenção é esse ser o único recurso “salvador” levado em consideração por quem mantem um projeto na internet.

E sabe por que ele sempre é levado em consideração? Porque sempre haverá o público que não se importa, que aceita ler, ouvir e clicar nas propagandas e consumir tudo o que é colocado em um publieditorial sem nem se dar conta se é algo bom ou ruim. Porque o leitor ou ouvinte confia na fonte que está consumindo.

Sabe aqueles formadores de opinião na internet? Aqueles caras e mocinhas que se dizem geeks e nerds e falam um monte de abobrinhas em vídeo ou podcasts e o público deles realmente acredita que tudo aquilo ali é a pura verdade? Pois é. Se o cara disser no vídeo que está viciado em Pepsi e beber uma boa golada no vídeo, você que é fã dele inevitavelmente sentirá vontade de consumir o produto. O que você não imagina é que esse mesmo cara é na verdade fã de Coca-cola mas está ali ganhando pra falar bem da Pepsi, que não é o refrigerante preferido dele, entendeu?

A publicidade, a propaganda e o marketing sempre foram assim e sempre serão. E não é de hoje que funciona desse jeito. Não estou dizendo que toda campanha é ruim ou maléfica para o consumidor, mas que essa prática mais do que nunca está se tornando cada vez mais agressiva.

E na internet tudo isso fica ainda mais evidente, porque aproximadamente 90% do conteúdo que consumimos está revestido de intenções comerciais, propagandas por toda a parte e simplesmente nos acostumamos, porque “todo mundo faz isso” e aceitamos como normal, porque é o ganha-pão do indivíduo.

E continuará sendo o ganha-pão de muitos produtores de conteúdo, porque a culpa não é de quem coloca os milhares de anúncios lá, mas dos leitores e ouvintes que não estão dispostos a contribuir financeiramente, porque essa não é a cultura a que estamos acostumados.

Desde o começo da internet a maioria dos sites e serviços são movidos com anúncios e patrocínios. Para nós, de certa forma, se torna até mais fácil abrir mão de nossa privacidade do que mexer no nosso bolso. Afinal, é só a nossa privacidade, nada demais.

Enquanto a maioria continuar pensando assim e aceitar numa boa qualquer propaganda, publicidade ou invasão de privacidade, os blogs e podcasts continuarão usando essa prática como a salvação para seus projetos.

O perigo a médio e longo prazo

Ou quem sabe até a curto prazo: é que muitos desses produtores de conteúdo são contaminados pela grana relativamente fácil que entra com os anúncios e publieditoriais. Exemplo: ganham com um banner em uma semana o que demoraram mais de dois meses para conseguir em doações dos leitores ou ouvintes.

Isso é legal? Sim. O grande problema é quando esses projetos mudam seu foco, suas opiniões e suas notícias com o intuito de favorecer seus anunciantes e patrocinadores. Ou seja, você consumidor do conteúdo deixou de ser o foco para ser um mero receptor indireto desses anunciantes e patrocinadores.

A partir do momento que algum projeto que você gosta começar a abusar das propagandas e dos anúncios de um modo geral, tome cuidado. Comece a analisar melhor as informações que você está recebendo, não acredite em tudo. Leia esse meu post sobre publieditoriais com algumas dicas de como se proteger.

Não estou aqui querendo dizer que devemos deixar de consumir todo conteúdo que se rende aos anúncios, mas que devemos reforçar cada vez mais o nosso senso crítico e ficar alerta para não comprar gato por lebre sempre que ler ou ouvir algum publieditorial.

Você é um consumidor de conteúdo passivo que aceita tudo o que lê/ouve ou é esperto o bastante para buscar fontes menos tendenciosas?

Pense nisso.

Conteúdo de qualidade vs. Publicidade

Outro dia eu estava trocando uma ideia com um amigo e chegamos à conclusão de que é nítido que atualmente a maioria dos sites e blogs está mais preocupada com publicidade do que em gerar conteúdo de qualidade.

Entendo que muitos blogueiros e podcasters tornaram seus hobbies uma profissão e hoje têm como objetivo tornar lucrativos os conteúdos que geram.

O problema maior que vejo nisso tudo (e não é novidade pra ninguém), é que até mesmo os blogs que estão começando já nascem com o objetivo de privilegiar as propagandas, tornando o conteúdo algo secundário e muitas vezes medíocre. E o raciocínio é muito simples: quando um blog privilegia a publicidade, inevitavelmente seu conteúdo tende a favorecer os patrocinadores, anunciantes etc. Ou seja, além de gerar um conteúdo tendencioso, torna-se limitado.

Tenho uma lista relativamente grande de blogs, sites e podcasts que começaram com um conteúdo excelente e opiniões honestas mas se renderam à publicidade. Hoje em dia são totalmente artificiais.

Sou a favor de uma internet com mais conteúdo de qualidade e menos propagandas. Mas até que ponto as pessoas estariam dispostas a pagar por um conteúdo isento de  opiniões compradas se podem ter tantos outros de graça, porém tendenciosos?

Ainda acredito em um modelo de negócios alternativo que possa beneficiar igualmente produtores e consumidores de conteúdo.

Na verdade sinto saudade mesmo é da época em que criar conteúdo era despretensioso e prazeroso, e não apenas um negócio.

Como esconder o Newsstand (Banca) no iOS 6 (sem jailbreak)

Uma das coisas que me incomoda desde o iOS 5 é a impossibilidade de esconder o Newsstand (Banca) dentro de uma pasta. Quando faço jailbreak, uma das primeiras coisas que uso é um tweak para eliminar o Newsstand.

Como atualmente estou usando o iOS 6 e ainda não existe jailbreak disponível para esta versão, descobri que foi lançado hoje um aplicativo chamado StifleStand que esconde o Newsstand dentro uma pasta chamada “Magic”, onde você poderá colocar outros apps que não usa e renomeá-la se preferir. Dispensa o jailbreak e também funciona no iOS 5.

O StifleStand está disponível para Mac e Windows, e foi criado por um hacker italiano super respeitado no mundo jailbreak, o Filippo Bigarella (criador de tweaks populares como o Springtomize 2, PasswordPilot e outros).

Como funciona:

  1. Conecte o iPhone com cabo USB no Mac ou PC e se tiver marcada a opção para iniciar o iTunes automaticamente ao plugar o iPhone, desmarque.
  2. Retire o cabo USB do Mac.
  3. Entre nessa página do Filippo Bigarella e baixe o StifleStand.
  4. Descompacte o aplicativo, abra-o e conecte o iPhone com o cabo USB no Mac.
  5. Clique no botão “Hide Newsstand”.
  6. Desconecte.

Você verá que foi criada uma pasta “Magic” no seu iPhone aparentemente sem nada dentro, mas ao abri-la verá que o Newsstand está lá.

Observe que como o Newsstand é uma pasta, se tentar abri-la dentro de outra pasta, dará crash.

Updates:

  • 10/10/12 às 18h20: Lançada versão para Windows e o código-fonte está disponível no GitHub.
  • 08/10/12 às 15h40: De acordo com o Filippo Bigarella, uma versão para Windows será disponibilizada em breve, assim como o código-fonte do aplicativo.

Update rápido sobre o App.net e comunicado

Após a publicação do post sobre o meu primeiro mês no App.net, boas notícias surgiram rapidamente e estão tomando uma proporção esperada. Aqui vai o resumo:

  • Os preços caíram: ao invés de US$ 50/ano para entrar no App.net, agora é possível pagar US$ 36/ano ou US$ 5/mês.
  • Lançado o Netbot: esperado cliente para iOS (é o primeiro para iPad) da TapBots, mesma empresa que desenvolve o querido e aclamado Tweetbot para Twitter.

Sobre a queda dos preços

Acho ótimo que os preços tenham caído, isso possivelmente levará mais pessoas a experimentarem o App.net. Só não sei até que ponto a opção mensal será benéfica para a rede, ou se vai gerar inconsistência e desorganização.

Explico: quem paga US$ 5/mês quer testar o serviço, mas espera já ter uma experiência similar à que tem no Twitter, por exemplo. E isso não vai acontecer por enquanto. São públicos diferentes, são pessoas que estão no App.net justamente por estarem insatisfeitas com o Twitter.

A maioria dos seus seguidores no Twitter não terá interesse em pagar para fazer parte de uma rede social, aceite isso. Portanto, seus US$ 5/mês ou US$ 36/ano só farão sentido se você entender que está em uma rede diferente com uma filosofia completamente oposta do Twitter.

Sobre o Netbot

É exatamente o Tweetbot, mas para App.net. Inclusive o ícone me desagradou bastante, pois trata-se do pássaro robotizado do Twitter mas em versão “black”. Não sei se o app foi lançado às pressas para participar do Programa de Incentivo aos Desenvolvedores ou se a intenção era realmente lançar uma cópia do Tweetbot para suprir um nicho. Adoro o Tweetbot, mas honestamente esperava algo mais com a cara do App.net.

Comunicado

Minhas opiniões sobre o App.net já foram bastante expostas aqui e tem conteúdo suficiente para quem estiver pensando em testar a rede. Já que os preços baixaram, é uma boa oportunidade para cada um tirar suas próprias conclusões. Sendo assim, a partir de hoje não publicarei mais sobre o App.net, vocês podem acompanhar as novidades no blog oficial da rede ou me seguir por lá: @luana.

App.net para mim continua valendo a pena, é uma rede que já se mostra preparada para construir uma base sólida de usuários e oferecer recursos cada vez mais interessantes, no qual somos parte vital para o sucesso da rede e o melhor: nossa opinião é levada em conta. Isso é o que faz valer a pena.

Avaliação do meu primeiro mês no App.net

Relatei aqui e aqui as minhas primeiras impressões do App.net e hoje vou compartilhar a minha percepção da rede um mês depois, do ponto de vista do desenvolvimento, usuários e conteúdo.

Desenvolvimento

Um dos princípios mais interessantes que acho do App.net é o patamar de igualdade entre desenvolvedores e usuários. Nesse primeiro mês pude acompanhar a evolução da API e o desenvolvimento crescente de aplicativos de terceiros. Alguns pontos interessantes:

Apps de destaque

Wedge (OS X – requer Mountain Lion 10.8)

O Wedge foi lançado essa semana, tem uma interface agradável e suave, e permite customizar aparência, atalhos, gestos, possui suporte à central de notificações, Retina Display e outras opções. Para mim só peca em não salvar ainda a posição da janela e só ser compatível com OS X Mountain Lion (10.8). Mas para um app recém-lançado, considero promissor.

O Wedge pode ser baixado em seu site oficial.

Appetizer (OS X – requer Lion 10.7 ou superior)

O Appetizer é um cliente minimalista e clean, mas permite customização do tempo de atualização dos posts, escolha do serviço de upload de imagem, bloquear posts de clientes selecionados e outras opções.

Para mais informações, screenshots e download do Appetizer, visite o site oficial.

Felix (iPhone e iPod touch – requer iOS 6)

O Felix é, possivelmente até o momento, o cliente mais elegante, de interface minimalista e agradável para iPhone e iPod touch, com uma tipografia bonita e cor de fundo suave que favorecem a leitura. O Felix é recheado de opções, como push notifications, upload de imagens via Droplr e CloudApp, permite salvar links no Instapaper/Pocket/Readability, suporta rascunhos e já é totalmente compatível com o iPhone 5.

A única coisa que me incomodou nesse app é que os ícones de Repost e Favoritos na timeline prejudicam a rolagem da tela e às vezes até respostamos algo sem querer. O dev já está ciente desse problema e garante que uma nova versão (já em andamento) corrigirá esse problema, além de outras melhorias.

Mais informações estão no site oficial do Felix. Ele está disponível na App Store por USD 4.99.

Outros clientes para iPhone

Além do Felix, também estão disponíveis na App Store outros clientes que merecem ser citados:

Programa de Incentivo ao Desenvolvedor App.net

Ontem foi anunciado o Programa de Incentivo ao Desenvolvedor App.net, que consistirá em premiar com US$ 20 mil/mês o desenvolvedor que obtiver o melhor produto avaliado pelos usuários. O regulamento do programa pode ser conferido aqui.

Embora alguns não tenham gostado da ideia, achei interessante e nunca vi nada igual. Não vejo desvantagem em algo no qual três partes sairão ganhando: o App.net por ter uma rede com apps de qualidade, que consequentemente tendem a atrair mais usuários; os usuários terão centenas de opções de apps e serviços de qualidade à disposição; e os desenvolvedores que, além de poderem vender seus apps, ainda concorrerão a 20 mil dólares se investirem bem no desenvolvimento de seus produtos, baseando-se nas necessidades dos usuários. Nada mal.

Usuários e conteúdo

O App.net está com quase 20 mil usuários, que em um primeiro momento parece pouco, mas se levarmos em conta que se trata de uma rede social paga e ainda em alpha, é um número considerável.

Continua formada basicamente por early adopters geeks, que compartilham notícias quentes sobre tecnologia e assuntos relevantes, então me sinto totalmente confortável em acessar a rede e ler a timeline global, porque basicamente todos ali compartilham assuntos do meu interesse e quando quero assuntos apenas sobre o desenvolvimento da rede, leio o minha stream, pois nela adicionei o staff do App.net e todos os desenvolvedores de apps que acho promissores.

O número de brasileiros ainda é mínimo, dá pra contar nos dedos.

Afinal, já vale a pena entrar no App.net?

Sendo bastante sincera, só acho que vale a pena se você tiver um conhecimento intermediário do idioma inglês e tiver interesse em testar apps e acompanhar de perto a evolução da rede.

Se seu objetivo for substituir o Twitter pelo App.net, ainda não acho que seja o momento. Acredito que até o final desse ano o App.net estará pronto para sair do alpha e se tornar público, possivelmente com um preço mais acessível (eu arriscaria 10 dólares) para atrair usuários. Acho que aí sim será interessante avaliar a entrada na rede.

Eu, como geek que sou, me sinto contente em poder compartilhar minha experiência no App.net e me divirto bastante testando aplicativos e ajudando os desenvolvedores, reportando bugs etc. Para mim é interessante e continua valendo a pena fazer parte de um projeto que condiz com aquilo que espero atualmente da internet.

Blogs: quanto mais comerciais, menos interessantes

Ontem fiz o seguinte comentário no Twitter:

De uns tempos pra cá, venho percebendo que a minha lista de blogs preferidos está cada vez menor, e o motivo é curioso para ser comentado aqui.

Não me refiro aos grandes portais ou sites declaradamente comerciais que foram criados com o único intuito de obterem lucros com toda a sorte de publicidades, mas sim àqueles que são mantidos por pessoas comuns que expõem suas opiniões e preferências pessoais sem interesses financeiros, apenas pelo simples prazer de compartilhar. São blogs de pessoas pelas quais sentimos inclusive proximidade e carinho, tamanha a informalidade com que nos transmitem informações e pontos de vista.

Como em todo o tipo de mídia (seja no jornal, revista, televisão, rádio, internet e tantas outras), a publicidade ou interesses comerciais mais profundos (talvez intenções de obter patrocínios de empresas renomadas ou um reconhecimento maior que o de seus leitores) acabam gerando mudanças significativas na maneira como os blogueiros que outrora emitiam suas opiniões com bastante sinceridade e imparcialidade, passam a escrever de maneira tendenciosa ainda que seus blogs não sejam comerciais, mas já começam a demonstrar intenções para tal.

Não discuto aqui o que cada um deve fazer com seus blogs, apenas lamento que o conteúdo mais básico e pessoal na internet esteja se transformando em alvo para a superficialidade e mesmice. Pois é exatamente isso que percebo em todos os blogs que eu acompanhava e que se tornaram (ou estão se tornando) comerciais: os posts passam a ter um toque menos pessoal e mais “profissional” (por assim dizer), o conteúdo fica mais artificial, pois há o medo de não ser politicamente correto e assim perder visibilidade dos investidores ou de potenciais anunciantes. Os leitores muitas vezes passam a ser apenas… adivinha? O produto. Não há mais o interesse de escrever para o simples bem do leitor, mas há toda uma carga de interesses financeiros/profissionais por trás e limitações. Os menos informados realmente não se importam com essas mudanças, então talvez por isso essa tendência esteja cada vez mais presente nos blogs.

Uma comparação que pensei ontem quando tuitei, é que os blogs comerciais para mim são como os filmes hollywoodianos: previsíveis, que querem lucros rápidos com conteúdo manjado. Já os filmes independentes muitas vezes nos transmitem mensagens muito mais inteligentes mesmo sendo produzidos com poucos recursos financeiros, e esses me remetem aos blogs pessoais sem interesses comerciais, apenas interessados em transmitir suas mensagens. É esse toque humano que está se perdendo entre as cifras monetárias.

Para complementar e finalizar esse post, segue um desabafo de Rosangela Lyra, diretora da Dior no Brasil:

“Os blogs se tornaram muito repetitivos e comerciais, voltem à originalidade e opiniões sinceras que levaram vocês ao sucesso!”

Apesar de ser direcionado aos blogs de moda, vale como reflexão para qualquer um que esteja envolvido ou almeje tornar seu blog mais comercial e consequentemente mais igual ao resto e inevitavelmente menos interessante.

Para mim, os interesses comerciais estragam a criatividade e o verdadeiro espírito de compartilhamento.

Extensões de ouro para bloquear propagandas na internet

Para todos aqueles que não suportam mais ver tantas propagandas na internet e acham que elas estão cada vez mais incovenientes, compartilharei as extensões que uso com sucesso no Chrome e que bloqueiam boa parte delas, inclusive as histórias patrocinadas que invadem a timeline do Facebook.

O trio de ouro é o seguinte:

  • AdBlock (Chrome | Safari) – O AdBlock é o mais eficiente que já testei, basta instalá-lo para começar a navegar sem ver propagandas. Ele é bastante customizável, então caso ele deixe de bloquear alguma propaganda em determinado site, basta adicionar a URL manualmente.
  • Social Fixer for Facebook – Possui versões para a maioria dos navegadores e é também bastante customizável. Para mim o maior benefício dessa extensão é bloquear as histórias patrocinadas da timeline.
  • Do Not Track Plus – Não é exatamente um bloqueador de propaganda, mas impede que anunciantes, redes sociais e outras empresas que coletam informações pessoais rastreiem seus passos na internet.

Nenhuma dessas extensões prejudica o desempenho do navegador e os benefícios são imediatos. Logo, mesmo que você não tenha conhecimentos técnicos avançados, instale sem medo. A qualquer momento podem ser desinstaladas sem comprometer o funcionamento do seu navegador.

Como anda o desenvolvimento no App.net

Faz uma semana que estou no App.net e o que mais me impressionou nesse curto período de tempo foi o rápido desenvolvimento da rede, tanto em número de usuários (que dobrou) como no amadurecimento dos aplicativos.

Como citei no post com minhas primeiras impressões do App.net, nesse momento a rede continua formada em sua maioria por desenvolvedores, muitos geeks e apenas uma minoria de usuários comuns.

Assim como o App.net ainda está em alpha, todos os aplicativos desenvolvidos para a plataforma também se encontram em testes, sendo melhorados a todo instante. A qualidade de muitos deles já impressiona pelo capricho e também nos faz perceber como é flexível e poderosa a API do App.net.

Minhas impressões melhoram a cada dia e o meu otimismo só aumenta. Quero muito ver uma rede alternativa dando certo, isso provará que existe espaço na internet para quem quer pagar para ter um produto de qualidade. Bato na tecla de que o App.net não se trata apenas de um “clone do twitter” no qual se paga pra “piar”, mas há toda uma filosofia por trás, é uma relação bilateral onde somos também clientes e não apenas mercadorias como o Twitter nos vê (unilateral).

Aplicativos que merecem destaque

Os aplicativos que estou usando e posso dar a certeza de que são de muita qualidade e bastante promissores:

moApp para Mac

Interface agradável e implementação de recursos cada vez mais próximos da experiência que temos hoje nos clientes de Twitter. A única coisa que não gosto até o momento no moApp é que mesmo que eu apague algo que escrevi, continuará sendo mostrado um post em branco no app. Perguntei pro dev se isso era um bug e ele respondeu que é uma feature do App.net que ele está usando e acha útil, pois mostra quando o post de uma conversa foi apagado. Particularmente não acho isso útil, se apaguei não há por que ser mostrado, ainda mais em uma linha em branco. Não é algo que atrapalhe, apenas incomoda um pouco.

Quase diariamente temos atualizações que são opcionalmente mostradas quando disponíveis. A nova versão pode ser baixada mas precisa ser instalada manualmente.

Ponto positivo no moApp é que ele já oferece um menu de preferências com várias opções úteis, como configurar o tempo de atualização dos posts, gestos e notificações no Notification Center.

O moApp pode ser baixado na página oficial do desenvolvedor.

 Mention para Mac

Seguindo uma interface parecida com o moApp (e consequentemente com o Tweetie), o Mention conta com atualizações da timeline em tempo real mas ainda não oferece um menu de preferências. Uma mudança que foi feita na última atualização e não me agradou foi a alteração da fonte, mas o dev garante que está implementando as preferências e o usuário terá a opção de escolher inclusive a fonte.

Outra coisa que tem me incomodado é que a janela não lembra a posição, então toda vez que inicio o aplicativo ele está em um tamanho e localização diferente da que eu costumo usar. Mas esses pontos certamente serão ajustados e corrigidos em futuras versões, ainda há muito caminho pela frente.

Ponto positivo é que o aplicativo mostra quando tem nova versão disponível, que pode ser baixada e instalada automaticamente.

O Mention pode ser baixado em seu site oficial.

AppApp para iOS

Este talvez seja o app em desenvolvimento que mais tem evoluído. O AppApp é open source e atualmente conta com mais de 10 desenvolvedores ativos e mais de 40 colaboradores envolvidos no projeto, trabalhando continuamente em melhorias e novas funções. Nos testes que fiz no iOS Simulator do Xcode, o app está muito bem servido de funções e estabilidade, em um visual bonito e elegante. É o mais promissor, na minha opinião.

O código-fonte do AppApp pode ser baixado no GitHub do projeto.

Outras plataformas

Foi disponibilizado hoje no Google Play o Hooha (anteriormente chamado de Jive). As avaliações são boas e me parece ser um app que também tem evoluído bastante.

Para todas as outras plataformas e uso web, sugiro visita ao diretório oficial de aplicativos de terceiros para App.net no GitHub, onde é possível acompanhar também o crescimento das opções de apps em desenvolvimento.

Estatísticas em tempo real

Para quem gosta de números, é possível acompanhar em tempo real estatísticas de: postagens feitas no dia, top hashtags, posts por minuto e muito mais em: appnetstats.com.

Também tem o App.net Search, que mostra trending links, trending sources e outros: appnet.herokuapp.com/search.

Uma análise sobre os publieditoriais e como se proteger

Após a minha reflexão sobre a invasão das propagandas na internet, achei que os publieditoriais mereciam um post à parte.

É um tema delicado que envolve polêmica e controvérsias, mas farei uma análise objetiva como leitora, explicando do que se trata essa estratégia publicitária e como leitores comuns podem fazer para identificá-la e evitar decepções.

Primeiro, entenda o que é um publieditorial: basicamente, trata-se de um anúncio disfarçado de post. Também é conhecido como post pago, onde um editor/blogueiro recebe um pagamento de uma empresa ou agência publicitária para escrever sobre determinado produto. O anúncio fica implícito e na maioria das vezes o leitor não consegue determinar se o que leu se trata de uma propaganda ou se é uma opinião isenta de quem escreveu.

Quem usa essa prática nos sites e blogs se defende afirmando que não engana os leitores, pois escreve apenas sobre os produtos que aprova e ganha por isso, outros afirmam que precisam manter o site e que toda forma de ganhar dinheiro é válida, ainda que seja vendendo a própria opinião.

Defesas à parte, o fato é que muitos leitores não conseguem identificar essa prática, confiam cegamente no site e acabam se decepcionando ao perceber que aquela opinião contida no post não condizia com a realidade, e o influenciou a adquirir algo que na verdade estava abaixo das expectativas que foram geradas pelo publieditorial.

Dicas para identificar os publieditoriais

Algumas características são comuns a todos que usam essa prática, então vamos analisá-las:

  • alguns sites e blogs chegam a escrever em alguma parte do post a palavra “Publieditorial”, “Patrocinador”, “Anúncio” ou algo do tipo. É uma maneira de se eximir de qualquer culpa caso alguém se sinta lesado futuramente, mais ou menos como aquelas letrinhas miúdas nos asteriscos dos comerciais de TV;
  • já fique atento ao começar a ler sobre algum produto ou serviço, especialmente ao se deparar com muitos elogios;
  • também pode estar disfarçado de review. Muitas empresas, principalmente de tecnologia, costumam enviar gratuitamente aos blogueiros um produto para ser resenhado, mas nem sempre sai de graça na prática. Algumas empresas mandam os produtos com a condição de que a resenha seja positiva. Em seguida vamos saber como detectar se o produto tem realmente qualidade ou é só post pago;
  • esses posts têm o objetivo de despertar o desejo de consumo no leitor. Então ao se sentir atraído por determinado produto ou serviço, tenha calma e continue lendo as minhas dicas.

Como se proteger

Nem todos os publieditoriais são sobre produtos de qualidade duvidosa, mas o fato é que todos têm em comum a malandragem de se disfarçar perfeitamente no conteúdo do site. Nessas horas é bom saber não apenas como identificá-los, mas também filtrar se aquele anúncio condiz ou não com a realidade do produto.

A palavra-chave para a proteção é uma só: pesquisar.

  • conheça melhor o produto, leia outros reviews e estude cada característica daquilo que te interessou. Nada melhor do que primeiro conhecer a fundo o que deseja, para depois saber se o que estão anunciando condiz com a realidade;
  • jamais se deixe levar apenas ao ler um post ou review em algum site, por mais que seja de um editor que você confia. O publieditorial tem a capacidade de atingir todos os sites, até mesmo aqueles que mais gostamos. Por isso cuidado nunca é demais;
  • dica de ouro: participe de fóruns e grupos de discussão sobre produtos que te interessam. Nessas ferramentas você encontrará consumidores como você, com opiniões críticas e imparciais, inclusive que já possuem o produto, então você poderá tirar conclusões mais próximas da realidade.

Dicas para editores e blogueiros

  • evite essa prática o máximo que puder. Ela incomoda, pode enganar e nem todos os leitores têm tempo ou conhecimento suficiente para pesquisar todo publieditorial que é publicado;
  • a credibilidade do seu site ou blog está em jogo. Se for aceitar publieditorial, tenha o cuidado de que aquela empresa tenha boa reputação com essas práticas. Já vi blog famoso de tecnologia fazendo publieditorial de uma marca conhecida de computadores, mas que fez propaganda enganosa no anúncio. Vários leitores se sentiram enganados, mas não adiantou lá muita coisa. Os publieditoriais continuam firmes e fortes. Jamais siga o exemplo desse blog;
  • não venda a sua opinião. Se não concordar com o produto que resenhou, não esconda isso dos leitores. Se a sua renda depende do seu site, sua opinião é o seu maior patrimônio. Respeite seus leitores acima de qualquer anunciante.

Não quero com esse post exorcizar a prática dos publieditoriais (até porque eu não conseguiria, é a prática preferida das empresas e agências de publicidade e é bastante difícil lutar contra o poder do dinheiro), mas o meu objetivo aqui é o de informar e ajudar as pessoas a identificarem esse tipo de publicidade para que não comprem gato por lebre.

Conhecimento e pesquisa nunca são demais.